América do Sul, né?
21 de janeiro de 2008
por bernardo mortimer
O Z'África foi a encarnação do lema gritado pelo MC Gaspar: "o rap sempre foi música positiva". Aquela velha idéia de que rap paulista é repetitivo e rap carioca é funk disfarçado caindo em samba ficou ainda mais para trás nessa volta da banda à cidade, depois de uns três anos. A batida sempre quebrada disparada pelo dj ou pela dupla de bateria e percussão varia a cada nova música, indo de um ragga a um samba (de paulista) a uma embolada, sem descaracterizar o compromisso com o rap. Aliás, o mano Sabotage não deixou de ser lembrado e homenageado.
Começou tudo escuro, com o baixo indicando a gravidade (olha o trocadilho!) da situação e uma saudação dos três mcs, que agem com um entrosamento de microfones e expressões corporais que levam humor e contundência à última medida, lado a lado com o groove. Gaspar é o político, Funk Buia é o malandro da melodia e Pitchô (um Flavour Flav suave) é o engraçado, embora essas posições se misturem o tempo todo. Brasil, né?
Na metade do show, o dj assumiu sozinho a apresentação por uns cinco minutos e deitou scratches sobre frases faladas, à frente das projeções de Embolex (a banda viaja com o próprio vj) que colam grafites, cores, símbolos e grafismos de escravos e antepassados africanos.
A missão do Z'África ficou muito bem defendida: divertir para reparar a história do Brasil, de modo a recolorir oficialmente o país com as cores das nossas etnias. Fizeram um show que ignorou o público que ficou em casa, chamou todos os presentes a cantar junto e ainda contou com a banda Zafricanoz (o Z'África em si é três mcs e um dj), donde se destaca o guitarrista Théo Werneck, lembrado aqui no Rio por ter sido uma das atrações de Luciano Huck, ao lado da Feiticeira e da Tiazinha, quando o programa ainda era em outro canal.
E foi o próprio Werneck que puxou o violão para lançar um blues que foi completado pelos três mcs com os versos que resumem tudo: o que importa é a cor, e quem tem cor age. Recado aliás para toda a América, né? Antes de deixar o palco, ainda negociaram uma colaboração Rio-São Paulo para o número a ser gravado no dvd do Humaitá Pra Peixe. Todos gritamos a resposta, e ganhamos mais uma de brinde antes de voltar para casa.
A formação começa com dois saxes tenor, clarinete, baixo estrondante e três percussões. Mas isso muda a cada música, seguindo a receita do afrobeat que se consagra cada vez mais aqui pelo Brasil: o palco é uma festa onde cada um da banda tem a chance de ir à frente e mostrar o que tem a dizer. O vocal, no caso, é o que menos troca de microfone no revezamento constante instalado, que ainda inclui flauta, sax soprano, guitarra, tres cubano (uma espécie de violão) e todo um set de percussão.
De um lado e do outro da platéia, uma meia dúzia de meninas dançava e respondia pela sensualidade que transborda dos sons que ora sobem, ora descem de volume, sem nunca abaixar a temperatura. Calor e álcool, pois bem, são dois dos componentes que precisam estar ali. Brasil, Santa Teresa, chilenos, colombianos, argentinos... América do Sul. Não é?
Um pouco antes do fim, Arturo se lembra que o smd Misturando Com Cachaça Fica Muito Bom está à venda, por cinco reais, o preço de umazinha. "Poupe uma dose de cachaça, uma só, e leve o disco pra casa". Dali a pouco, seria a própria música que nomeia o disco que encaminharia o show para o fim. E deixaria em todos a sensação de que o medo da chuva impediu uma noite linda de acontecer plenamente, como bem que merecia.
Bola pra frente, até porque como foi já estava bem especial.
Warning: include(/home/.fibi/pilastra/2008.humaitaprapeixe.com.br/zineonline/_includeBanner.php) [function.include]: failed to open stream: No such file or directory in /home/pilastra/2008.humaitaprapeixe.com.br/zineonline/noticias/2008/01/america_do_sul_ne.php on line 278
Warning: include() [function.include]: Failed opening '/home/.fibi/pilastra/2008.humaitaprapeixe.com.br/zineonline/_includeBanner.php' for inclusion (include_path='.:/usr/local/php5/lib/php:/usr/local/lib/php') in /home/pilastra/2008.humaitaprapeixe.com.br/zineonline/noticias/2008/01/america_do_sul_ne.php on line 278

temos uma banda que precisa muito se expressar no humaitá. ouça nosso som no myspace e tirem suas conclusoes.
Que pena, não pude comparecer para ver o songo num palco de prima! deve ter sido lindo, pena que eu tinha uma apresentação para fazer tb! enfim, quem quiser conferir essa "latinidade" toda no carnaval carioca, rola o bloco do songoro cosongo (o som que rola é esse mesmo, nada de machinha e samba) na segunda-feira dia 4, concentração às 9h da matina no curvelo, santa teresa! vale a pena, porque misturado com cachaça fica muito bom!! Estarei por lá dando uma força na percussão! (nesse domingo, 27, rola o último ensaio do bloco, no curvelo às 15h! Ahhh, parece que vai ter songoro cosongo no miscelânea odeon na terça dia 29)