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Brasil e Todas As Mulheres Do Mundo
12 de janeiro de 2008

por bernardo mortimer

joaoBig.jpgJoão é meio palhaço, Sílvia é meio bailarina. João é super-produtor, Sílvia é meiga cantora. Ele é debochado e improvisado, ela é ensaiada e sabe onde pisa, ele é eletrônico, ela é pop bossa. Mas não dá para fugir do fato de que, no fundo e na superfície, os dois são mesmo é muito engraçados em cima do palco. E, sempre importante, fazem música boa.

Quando o batidão foi disparado por PCatran, boa parte do público ainda estava do lado de fora da sala do teatro, mas a pressa com que todos entraram era um bom sinal da expectativa que cercava João Brasil. Embora o público não tenha repetido as lotações do primeiro fim-de-semana, havia um burburinho no ar que prenunciava um momento para marcar, a hora de conferir aquele conhecido como o mito, o hiper-super-mega popstar do Baixo Gávea. Não é pouco, e tá só começando.

O batidão era a introdução para a Cobrinha Fanfarrona, a chegada de João ao funk carioca, e a energia ainda fora de controle dele e de sua assistente Letícia Novaes mostrava que a vontade estava desbalanceada com o nervosismo, o que já na segunda música passaria. Pau Molão, um rap oitentista que conta as desventuras do nosso super-herói por uma boate de Copacabana acertou as contas: ganhou silêncios e nuances de interpretação que dão muita força e suspense à saga dramática do macho moderno, incapaz de enfrentar sem crise as pressões da sociedade. Passado o épico, estava vencido o teste de fogo: a ansiedade virou paz em cima do palco, e a desconfiança virou cumplicidade debaixo.

Daí, ficou mais fácil para o trio sobrar diante do público, e enfileirar novos hits de pista, incluindo a homenagem à apresentadora de saia justa Mônica Waldvogel, que deu as caras e distribuiu rosas, embora haja quem diga que foi só armação. Até que entrou em cena o segundo épico de João, O Carnaval Acabou Com Meu Fígado. Um pedal do teclado não funcionou, e isso abalou um pouco a confiança do mito dos mp3 e blogs. Só que a receita de Pau Molão voltou a funcionar, e ao encher de dinâmica e pausa o arranjo, a música foi outro ponto alto da apresentação.

Nesse momento, o furor do público fiel estava lá em cima, e a atriz de tv e cinema Maria Flor invadiu o palco para fazer coro em Don't Go to Australia, dance farofa à la Pet Shop Boys. Tudo tinha virado festa: o deboche e a cínica picaretagem planejada (portanto inteligentíssima, não entendam mal) foram assimilados pelo público e deu até para perdoar uma atravessada em Super Cool, e a colada na letra em pleno encarte do cd durante Quero Fazer Amor - tudo meio escrachado mesmo, no clima que preparava a apoteose.

E ela chegou quando todos esperavam mesmo: foi um papapapapa-paparará, e todos atenderam ao chamado de levantar das cadeiras, pela primeira vez no festival até então. João trocou o mic pelo megafone, puxou o coro, desceu do palco, parou a base, parou as palmas e encerrou a noite consagrado, à capela, entre corpos suados de tanto mexer as cadeiras espalhados pela sala.

Quando ele voltou para o bis, foi só para protocolar a afirmação de que vocês ainda vão ouvir muito falar deste nome.

silviaBig.jpgMuito mais do que só o começo, aliás, foi a abertura da noite com a bela Sílvia Machete, atriz, cantora e mulheres, assim mesmo no plural. Assim como Rita Lee certa vez cantou as " Macacas de auditório,velhas atrizes/Patroas babacas, empregadas mandonas/Madonnas na cama, Dianas corneadas" para concluir que são todas meio Leila Diniz, Sílvia se apresentou "santa e vulgar/simples ou confusa" e se resumiu simplesmente mulher.

Já estava na voz bossa nova (embora mais limpa) e no instrumental pop rock, mas a guitarra de Fabiano Krueger ainda foi lá e dedilhou Mania de Você para não restar dúvida da descendência mutante da moça que ainda se acostuma com a fama repentina de uma entrevista no Jô, depois de passear profissionalmente pelo mundo até parar no circuito off-Broadway de Nova Iorque.

Nada a preocupar, afinal jogo de cintura não falta. Ela apertou a fumaça dela sem depender de ninguém, enquanto balançava o bambolê, e emendou em um clássico de quem foi jovem durante os anos 90, Sweet Child O'Mine, em versão cool bossa, tirando uma onda de outra tupiniuorquina, Bebel Gilberto. Nisso, desceu do teto um trapézio e ela subiu para cantar a próxima, nos ares.

De lá, só desceu para oferecer uma chupada no dedão em troca de um disco, mas a platéia tímida não se ofereceu, e teve que se contentar em gritar um "mostra o dedão" quando já era tarde demais. Depois, ela terminou no auge, com os hits Eu Só Quero Saber de Você e Toda Bêbada Canta, que reforçaram a questão lá do primeiro parágrafo: é isso, é aquilo, e mais não-sei-o-quê, mas a música que interessa, essa é com certeza boa para caramba.

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Comentarios Enviados
Guitar Hero [12 de janeiro de 2008]

Confesso que quando descobri que os artistas da noite apresentariam um trabalho mais puxado para o humor fiquei um pouco ressabiado. Mas para minha grata surpresa os dois shows foram excelentes, divertidos, e musicalmente muito interessantes.

leonardo [12 de janeiro de 2008]

isso foi pessimo,uma porcaria obs:troca iissoo porque é uma bosta mermo

Folopo [12 de janeiro de 2008]

Elisabeth, prefiro ouvir "pau molão" do que outros funks e hits cariocas.

Não deixa, de se forma muito sutil, de ser uma crítica a opressão da sociedade...uma música para refletir sobre os valores sociais.

Elisabeth [12 de janeiro de 2008]

Pelo amor de Deus, quem assiste João Brasil !?!?
Como uma pessoa que canta "Pau molão" pode ser um cara famoso ?? Só mesmo no Rio de Janeiro....

renato [12 de janeiro de 2008]

joao brasil foi demais!demais!ADOREI!


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