Cabeza de Panda e Maquinado
07 de janeiro de 2008
por joca vidal
Fazendo seu segundo show (a estréia aconteceu em São Paulo), o power trio Cabeza de Panda subiu ao palco da Sala Baden Powell com a platéia formada por vários amigos e músicos - entre eles o "patrão" Marcelo D2, Marcelo Yuka e Dado Villa-Lobos. Bem entrosados, o que não era difícil de imaginar, o conjunto mostrou um repertório autoral formado por músicas fortes e diretas. Mauro, o baixista, apesar de ter quebrado o dedo mindinho no dia 31/12, era um dos destaques da banda, responsável pelas programações, teclados e baixo. Alexandre e Lourenço, guitarrista e baterista respectivamente, seguravam suas funções enquanto se revezavam nos vocais.
"Veludo Azul" e "Visita", esta interrompida para afinação da guitarra de Alexandre, foram bem recebidas pela platéia que já contava com um bom número de pessoas em pleno final da tarde de mormaço na cidade. "Psycho Killer", dos Talking Heads, apareceu de forma pesada e cadenciada, quase sombria. A acelerada "Melhor que Eu" e "Café e Pasta de Dentes" - que conteve citação para "Lucy In The Sky With Diamonds", acompanhada por palmas pelo público - causaram boa impressão naqueles que não sabiam o que esperar dos "Pandas". Finalizaram com "Quanto Tempo Mais" - que teve outra citação, dessa vez de "I Can't Find My Way Home", de Eric Clapton - e, para surpresa de muitos, "Toxic", de Britney Spears, que contou com uma performance tresloucada de Thalma de Freitas ("Uma pessoa que nos incentivou muito a tocar", disse Alexandre). Saíram aplaudidos efusivamente, mas não sem antes distribuir mini-bolinhos com cabeças de panda para os mais esfomeados.
Com o auxílio luxuoso de Dengue no baixo e Toca Ogan na percussão (ambos integrantes da Nação), além do DJ PG (do Mamelo Sound System), Lucio chama ao palco a outra parte do Mamelo, ou seja, os MCs Rodrigo Brandão e Lourdes da Luz. O clima de penumbra, que antes dominava o palco, aos poucos foi se iluminando. A energia de Rodrigo e Lourdes deu nova cara ao espetáculo. Seguindo em frente, Maia estava visivelmente mais empolgado e relaxado. Fez brincadeiras com a platéia e misturou de Nelson Cavaquinho a Kraftwerk passando por Serge Gainsbourg ("Je T'aime Moi Non Plus") e mostrando nas entrelinhas o verdadeiro "guitar hero" que é.
Como nada é perfeito, no bis Lucio voltou com um improviso contra a Igreja, a religião e o Papa ("Vocês confiam em um Papa que não usa camisinha?", gritou) em que discursava sob uma batida eletrônica. Voltou a chamar ao palco Rodrigo e Lourdes para cantar um refrão impronunciável, que deixou a maioria dos presentes sem entender tamanho radicalismo. Não precisava, mas não comprometeu.
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