Humaitá pra Peixe 2008
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Mofo
Fora o comodismo!
30 de janeiro de 2008

por flávia martin

DSC08948.jpgNesse último dia de bate-papo no Mofo, os convidados foram todos os que se sentaram nas mesas dispostos a conversar sobre a carreira artística na música. Isso mesmo. Com o tema "Artista: Onde estou? Para onde vou?", músicos, produtores e artistas foram os debatedores da rodada final de debates promovidos pelo Humaitá Pra Peixe 2008. E mais uma vez a conclusão que se tirou das questões levantadas é que, se o mar não está pra peixe, é hora das bandas se mexerem. Também foram discutidos os papéis do empresário, da gravadora e até da Internet.

Tudo mudou e vem mudando a uma velocidade cada vez mais acelerada no mercado da música, tanto no Brasil como lá fora. E muitas fórmulas que eram dadas como infalíveis vem sendo postas em xeque. Essa observação inicial feita por Bruno Levinson abriu as discussões sobre o cenário encontrado pelas bandas atualmente. "Até pouco tempo atrás, tinha um modelo claro que funcionava pra definir a trajetória das bandas. Hoje essas trajetórias estão mudando", disse.

Para a produtora cultural Jô, a banda ou artista que se lança hoje já precisa de uma dose de profissionalismo antes de tentar gravar ou mesmo para apenas tocar em festivais ou mostrar o seu trabalho. "Acho que a gravadora não é mais a causa, mas sim a conseqüência. Os artistas precisam fazer um bom trabalho, usar as novas tecnologias e os novos canais a seu favor, já que as gravadoras não vão investir em bandas que não tenham já um público formado".

E se as gravadoras não estão mais querendo apostar nos novos artistas, um modelo alternativo seria o "esquema Calypso", como definiu Paulinho, integrante da banda Rabugentos e apresentador de uma rádio na Internet. Apostando todas as suas fichas nos shows, a banda paraense grava, prensa e distribui seus próprios discos, vendidos a preços módicos, e fatura com as inúmeras apresentações feitas Brasil afora.

Sobre o papel do produtor e do empresário, Paulinho comentou: "eu acredito muito no trabalho do empresário, que saiba gerenciar a carreira da banda de acordo com as expectativas dela. Acho que tem que ter esse cara que te coloque pra tocar, pra abrir shows para outros artistas do casting dele".

Oferecendo um exemplo de quem conseguiu se firmar no mercado, Bruno Neves, percussionista da banda Seu Cuca, confirmou que as bandas precisam ter um objetivo claro para depois batalhar por espaços para tocar. Ele contou como foi no caso deles: "há oito anos, quando a banda foi formada, a gente começou a tocar em boate e logo as próprias casas reservaram um dia na semana pra gente se apresentar. Então eu acho que as bandas novas estão um pouco acomodadas, só reclamando que não tem espaço pra tocar. Tem que correr atrás".

DSC08950.jpgPaulinho concordou com a observação de Bruno e foi além, comentando a falta de interesse de alguns novos artistas: "se existe uma crise, é a da banda, a crise da banda preguiçosa. Eu falo lá no programa da rádio pra galera me mandar os áudios em formato wave, que é de boa qualidade, e eles respondem que não têm como mandar, porque somos uma rádio web!".

As iniciativas criativas, que aproveitam as brechas do mercado também tiveram alguns de seus representantes. Phil, um dos sócios da Bolacha Discos, selo que utiliza a tecnologia SMD, a qual permite que cada unidade de CD seja vendida por R$ 5,00, contou como é a estratégia dessa empreitada: "queremos criar uma nova cultura. A gente quer que as pessoas arrisquem comprar discos de bandas que elas não conhecem". O Bolacha, que já tem em seu catálogo seis bandas cariocas e uma do Distrito Federal, mostra números invejáveis: quase 13 mil discos vendidos em cerca de um ano de atividade e quatro pontos de venda fixos. Pra mostrar pra qualquer gravadora que a tão falada crise na indústria pode ser contornada.

Os debates no Mofo mostraram que o Rio está carente de espaços para discussão e consagraram o novo formato inaugurado nessa edição do HPP, que foi muito bem-vindo por quem acompanha o festival. Vida longa ao Papo de Bar!

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Comentarios Enviados
Sandro Luiz [30 de janeiro de 2008]

Olá, amigos!
Após leitura sobre o bate-papo, gostaria de acrescentar que, diante deste atual momento artístico ao qual estamos passando, temos uma vísivel oportunidade de valorização nas apresentações no formato ao vivo! Ou seja, independente da utilização da mídia em geral, as performances e apresentações no cenário musical são cada vez mais bem-vindas! Onde, o som que melhor tocar, a quem possa, naturalmente irá se destacar! Isto, seja ou não, com o apoio e força da internet, ou através da mídia em geral! Num resumo, o lance é cada vez mais, podermos contar com espaços, assim como este, e continuar a tocar, curtindo e fazendo, trazendo à tona, o som que se gosta, ou não?!!!
Obs.: ..o momento é ainda, uma excelente oportunidade para chutarmos, e com vontade, a caretice e a liberdade, sobre os diversos estílos musicais! "...assim como a degustação e o vestuário, nas suas devidas proporções, a musica é um estado de espírito!"
Abração, e mais sucesso!
Sandro Luiz.

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