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Sala Baden Powell
Noite de bambas na Baden
26 de janeiro de 2008

por joca vidal

02_mm.jpgFoi muito bacana chegar à Sala Baden Powell e encontrar o teatro lotado de pessoas das mais diversas idades, desde a juventude que foi para sambar até a 3ª idade que ficou sentadinha para curtir dois belos shows. Em comum uma fuga dos blocos que pululam esta época na cidade e que muitas vezes destorcem o verdadeiro conceito de samba. O mesmo povo que ficou impaciente enquanto os shows não começavam. Sim, para muitos o horário era bem impoirtante.

Na noite dos novos compositores, como ressaltou Bruno Levinson, a primeira missão foi de Moyseis Marques. Jovem, aos 28 anos de idade já demonstra uma segurança impressionante no palco. Seu carisma fez com que ganhasse o público logo na primeira música, a saudação "Axé Para Pedir Licença". Seguiu com "Minha Verdade", de Dona Ivone Lara e Nelson Carvalho, e "Samba, Ciência da Graça".

Marques mostrava no palco suas influências e sua personalidade: ele canta o Rio, faz samba com humor e que "conta uma história", como ele mesmo salientou. "Subúrbio", de Chico Buarque, foi bem aplaudida, assim como "14 Anos", de Paulinho da Viola. Referências ao samba de gafieira e sincopado, ao compositor Jorge Veiga (em "Baile da Piedade") e Jackson do Pandeiro ("Falsa Patroa" e "Meu Enxoval"), além de uma homenagem aos orixás em "Receita de Maria", deram consistência ao repertório. A parte final foi dedicada ao partido alto com "Mocotó do Tião" e "Fidelidade Partidária".

Diogo Nogueira foi o responsável pela ida de muita gente à Copacabana. O filho de João Nogueira, também bem jovem, goza de uma recém-popularidade conquistada com muito trabalho e talento. Baseando sua apresentação no repertório do DVD que acabou de lançar, Diogo fez show de gente grande, com bastante desenvoltura e simpatia.

Começou o primeiro bloco com "Minha Missão", "Poder da Criação" e "Coração em Desalinho". Quando entoou "Deixa a Vida Me Levar", popularizada na voz de Zeca Pagodinho, as partes laterais do teatro estavam tomadas pelas pessoas dançando. "Vazio", de Roberto Ribeiro, foi um dos pontos altos do show, assim como "Ex-Amor", de Martinho da Vila; "Mulheres", de Dona Ivone Lara e Roberto Carvalho e "Conselho", de Almir Guineto.

45_dn.jpgDe repente tudo fica escuro e uma imagem de João Nogueira no auge de sua carreira cantando "Espelho" aparece no telão. Os versos de "Eh, vida boa / Quanto tempo faz / Que felicidade! / E que vontade de tocar viola de verdade / E de fazer canções como as que fez meu pai" é praticamente auto-biográfica. Diego e seu pai tem trajetória bem parecidas: ambos foram jogadores de futebol antes de abraçarem o samba e também perderam o pai bem cedo. Momento de emoção no palco e na platéia.

"Fé em Deus", tocando com intensidade nas rádios de SP, e "Lua de Poeta" abriram a parte final da apresentação. Compositor bi-campeão da Portela, lembrou o samba-enredo do Carnaval de 2007 da azul e branco. No bis, o clássico "Vou Festejar", com todos já de pé.

Cada um em sua praia (Moyseis mais eclético e Diogo calcado no pagode e na música negra), os dois novos representantes dessa bem-vinda revitalização do samba carioca mostraram que têm fôlego para continuar por muitos e muitos anos alegrando nossas vidas. Que crescam, que componham e que façam música. Para sempre.

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