Pesos Pesados
21 de janeiro de 2008
por bernardo mortimer
Assim que começou o intervalo, a garotada que nem se preocupou em encontrar conhecidos na porta da sala do teatro correu para a beira do palco e de lá não saiu. Cada centímetro mais perto era muito importante para ver o ídolo, de quem conhecem as letras do início ao fim.
E foi o Bruno Levinson entoar um "Então, galera" para ser ovacionado. O jogo estava ganho para o pop pesado padrão MTV de Jay Vaquer. Com duas guitarras, baixo, bateria e teclado, fora os tais efeitos digitais e programações dos dois laptops, o show se alternou entre músicas mais agitadas, com algum grau de parentesco com a Pitty, e as baladas para as menininhas. Hábil em cena e com o microfone, Jay pulou e fez caretas ao mesmo tempo em que jogava a voz lá para o agudo, sem suar.
A faixa etária ali na primeira fileira não chegava aos vinte, mas a verdade é que não faltavam fãs a Jay acima disso, que preferiram as cadeiras. Cheio de sorrisos e caras de questionador, ele foi trazendo para si as atenções sem dar espaço para qualquer respiro, e deitou, chutou a perna para cima, ameaçou jogar o pedestal do microfone, apontou para fãs, tudo em um ritmo intenso. O único obstáculo para o triunfo de Jay era o retorno 'in ear', aquele fone de ouvido que até o fim do show ele não conseguiu ajeitar, e preferiu tirar várias vezes, ainda mais quando pedia o coro do público.
Mas não teve para o 'in ear', e quando tudo parecia ter chegado ao fim, o pedido de um bis se alastrou por três, e se dependesse de Jay ainda viraria quatro. No camarim, no entanto, a noite continuou com uma pequena multidão querendo entrar e realizar o sonho de fã junto ao ídolo.
Há uns cinco anos, tudo que existia de rock na capital mato-grossense eram covers de gente famosa. A associação de um grupo de pessoas com a idéia de estimular a criatividade e uma cadeia produtiva própria para a arte foi o início do tal Espaço Cubo cujos principais representantes, hoje, são o próprio Macaco Bong. Os três integrantes não tem ainda vinte e um anos, e também trabalham como técnicos de som, produtores, instrutores, etc, em nome da proliferação de novos músicos e novos públicos.
Mas como se falou, o importante foi ver que tanta organização associada em papo de ong rendeu no que importava ali no domingo do HPP: som bom. O peso da guitarra, baixo e bateria foi ganhando mais e mais força na medida em que a banda mostrava o controle sobre a dinâmica da música, do dedilhado ao esporro ao acorde ressoante, o que criou climas viajantes sem necessariamente serem psicodélicos. Um pouco de MC5 se juntava a um pouco de Deep Purple, com relações possíveis a um universo que engloba Explosions In The Sky e Mars Volta. A projeção da Azóia teve o mérito de não tentar ilustrar as viagens, apenas contribuir com elas. Só que tudo feito só por três pessoas, três instrumentos, com a distorção lá em cima.
E para fechar a apresentação, uma citação visual a Jimi Hendrix, com o guitarrista Bruno Kayapy jogando a guitarra no chão para transformar o barulho em música e catarse. Bom demais. Peso trabalhado e surpreendente.
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mto bom! ótima resenha, pena que ainda existem pessoas que não sabem respeitar a opinão alheia ou ao menos o que se pensa. Acho que as pessoas que estão tentando mostrar algo não acertam sempre o gosto dos 'egocêntricos', tentam expor o que foi visto aliado da suas próprias coisas, é preciso ter uma noção minima de compreensão.
Olá. Sou super fã do Jay Vaquer e acho que a comparação com a Pitty, cabe apenas no fato de muitos jovens se identificarem. Pois vejo mais qualidade no som, na voz e principalmente, nas letras. De qualquer forma, Pitty não deixa de ser uma boa artista, porém não tão boa cantora.
Tenho 23 anos e tenho parentes, com mais de 50 anos que são fãs do Jay.
E também o lance de se ter só meninas, acho realmente que são uma maioria, mas tem muuuuuuuuitos homens ali cantando as músicas do Jay. Mas obviamente o som mais estridente, vêm das vozes femininas.
um show excelente!
O cantor Jay Vaquer fez uma belissima apresentação.Euforicamente empolgante e introsado com o público,o cantor agitou a platéia,tanto com suas músicas agitadas com letras criticas e ironicas,como com as baladas que parecem mais poesias que agrada jovens e adultos que curem uma boa musica.
A apresentação do cantor Jay vaquer foi excelente!
o cantor que sempre vem com musicas diferenciadas,tanto nas agitadas que tem letras mais criticas e ironicas como nas baladas que mais parecem poesias que agradam jovens e adultos de ambos os sexos.
Ele não deixou a desejar...muita empolgação e interação com o publico que por sinal sempre fiel.
vc fez uma reportagem infeliz, eu sou fã do Jay Vaquer, e tenho 21 anos, como a maioria dos fãs dele, ele como qualquer artista não se deve comparar, pois ninguém é igual a ninguém, além disso tem preconceito um feio, só menina gosta de baladâ?!