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Mofo
Produtores, uni-vos!
16 de janeiro de 2008

por flavia martin

DSC08827.jpgA chuva que desabou sobre o Rio de Janeiro nesta terça-feira não espantou o público que, mais uma vez, marcou presença no Mofo, dessa vez para debater o tema "Festivais e Festivais", onde discutiram o papel dos patrocínios e dividiram experiências sobre a lenha que é produzir festivais independentes no Brasil. Aliás, o termo "independente" foi radicalmente rejeitado por Bruno Levinson, idealizador do Humaitá Pra Peixe e mediador da mesa, que contou com Cláudio Jorge, coordenador de música da gerência de patrocínios da Petrobras, e Rodrigo Lariú, dono do selo Midsummer Madness, que completa 17 anos em 2008, do festival Evidente, substituto do antigo Algumas Pessoas Tentam te Fuder, e, é claro, da famosa Banquinha do Lariú, o "camelô" montado em todas as noites de HPP.

"Eu abomino o discurso do independente. Acho que temos que buscar cada vez mais uma dependência entre nós que produzimos festivais pelo país. Não quero alimentar um nicho, quero mostrar os artistas para um número cada vez maior de pessoas", enfatizou Bruno.

O papel do patrocinador também foi outro assunto colocado nas mesas do Mofo. Responsável pelo núcleo musical da empresa que mais patrocina ações culturais no país atualmente, Cláudio Jorge falou com propriedade - e bastante sinceridade também - dos interesses do patrocinador. "A Petrobras já patrocina a produção de discos de artistas desde 2003 em parceria com a Lei Rouanet do Ministério da Cultura, mas queríamos ampliar os recursos e pensamos nos festivais, até porque, do ponto de vista de retorno para a empresa, eles têm mais visibilidade, porque duram mais tempo e geram mídia espontânea e paga também. Aí, em 2007, lançamos os editais para os festivais com o contingente de R$ 2,5 milhões, que ainda é relativamente pouco. Agora vamos avaliar o desempenho dos eventos patrocinados para lançar outro edital para 2009", contou.

O assunto rendeu um debate acalorado, já que pontos de vista divergentes foram postos à mesa. Para Lariú, o ideal seria que os festivais não dependessem indefinidamente das leis de incentivo "já que elas deveriam ser iniciais, para os produtores darem o primeiro passo, até porque se chamam leis de incentivo e não leis de sustento".

Já Bruno disse considerar fundamental o apoio dos patrocinadores e lembrou como foi determinante até para sua carreira profissional o trabalho com a primeira empresa que acreditou em seus projetos. "Os patrocínios também ajudam o produtor cultural a se profissionalizar tal o nível de exigência que algumas empresas têm em relação aos eventos que estão patrocinando. O primeiro patrocínio que consegui foi o da Coca-Cola e lembro como foi importante para minha carreira profissional ter trabalhado com eles, que ficavam em cima de cada detalhe do trabalho".

Presente no debate, a produtora cultural Raquel Ramos questionou justamente essa falta de profissionalização do setor. "Eu demorei seis meses para fazer um projeto para submeter aos editais de patrocínio. Acho que falta um curso acadêmico para que esses processos sejam agilizados", comentou. Para Lariú, encontros como o do Mofo servem também para isso: trocar idéias e experiências com gente nova que quer emplacar seu projeto.

Além de eventos como os promovidos pelo HPP na edição de 2008, outras iniciativas devem contribuir para uma maior união na categoria. Essa foi a conclusão chegada na noite desta terça: é urgente deixar de lado as broncas e unir esforços para fazer a roda girar.

DSC08824.jpg"Antigamente, havia uma tradição de 'cada um por si' e uma mentalidade de que 'se eu for ajudar o outro ali, eu vou me fuder', mas os festivais bem-sucedidos no Nordeste mostram que, quando eles se organizam, dão certo", concluiu Lariú, que produziu nove edições do festival Algumas Pessoas Tentam te Fuder, algumas delas com prejuízos de até R$ 6 mil por dia.

Foi com esse intuito que foi criada a Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin), que comemora dois anos de existência e que conseguiu reunir quase 30 festivais em todo o país, dez deles apoiados pela Petrobras. "Do ponto de vista do patrocinador, é muito bom que haja associações feito essa, porque é muito mais fácil dialogar com uma entidade do que com cada festival", disse Cláudio Jorge. Bruno também comemorou: "é muito legal ver um associativismo como esse dar tanto certo".

E como esse assunto dá pano pra manga, na próxima semana o tema "Fomentando a Cena" deve gerar mais discussões interessantes sobre as fontes e as formas de financiamento da música e dos festivais no país!

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Comentarios Enviados
Tiago Taboza [16 de janeiro de 2008]

Olá amigos quando mais ou menos abre as inscrições para o festival em 2009, pois a banda Statik gostaria de se inscrever para o mesmo abraços!!

gill amorim [16 de janeiro de 2008]

estou voltando pra musica, estarei no rio depois do carnaval fazendo contato para shows. meu site

Lariú [16 de janeiro de 2008]

Só para explicar mais uma vez o que eu disse: eu não sou contra leis de incentivo, muito menos contra a parceria de empresas como patrocinadoras.

Eu só acho que o MECANISMO da Lei Rouanet não é perfeito e cria distorções que devem ser analisadas com cuidado (planos de marketing que influenciam o que é "bom" culturalmente e o que não é; produtores preocupados em fazer projetos e não cultura, etc).

Não posso ser contra a Lei Rouanet tendo inscrito o EVIDENTE no Edital de Festivais da Petrobrás. Mas acredito que o ideal seria que as empresas enxergassem em bons projetos uma oportunidade de investir num bem comum que é a cultura. O que acontece hoje em dia é que um bom projeto de cultura só tem grana se estiver inscrito na lei que isenta as empresas de pagar impostos...

Pode parecer utopia (investimento direto da empresa em um bom projeto de cultura, tipo mecenas) mas se não pensarmos assim seremos eternos conformistas.

abs
lariu

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