11 de janeiro de 2008
Quer um pouco de número? Mais de trezentos artistas, mais de cem dias de show, cinco palcos diferentes e públicos de até setecentas pessoas por dia (o recorde é do ForFun, em 2006 - sem contar com Canecão e Circo Voador). Mas não é bem a matemática que faz a gente gostar tanto do Humaitá. Cada um tem as próprias boas lembranças desse festival, e aqui vai a noite especial de uma série de figuras que passaram pela história do HPP, e que ainda tem muito com o que contribuir:
Pedro Sá, guitarrista e recordista em participações no HPP: "A, o show inesquecível é o do Piu-Piu e Sua Banda, acho que na primeira edição do festival. Eu fui sozinho, acho até que toquei naquela edição do Humaitá [só iria tocar no ano seguinte, na verdade], mas eu sempre fui sabendo que ia ter um conhecido lá, uma galera. Mas, cara, o Piu-Piu entrou no palco com uma fantasia de sardinha, e aquilo foi caindo, se desmanchando, e foi ficando um fedor de peixe no ar. Ele ia cantando, e pisando em pedaço de sardinha, chutando em cima da gente. Muito engraçado. O pior é que ele fez o primeiro show da noite, depois ainda veio o Gangrena Gasosa, que era outra banda foda, e o Coma, que até tinha umas letras do Bruno [Levinson]. As duas bandas e o público tiveram que aturar o cheiro".
Felipe Schuery, ex-vocalista e editor de livros:
"Eu tinha acabado de comprar o 'Samba Esquema Noise', do mundo livre s/a, e ainda morava em Cabo Frio. Quando vi a programação do HPP de 1996 (se não me engano) me despenquei para o Rio para ver o show deles. Fui sozinho e tudo era deslumbrante e assustador pra mim. Eu via poucos shows, não chegava muita coisa a Cabo Frio... Me lembro de chegar e sentar no último andar das arquibancadas do Sérgio Porto, meio que pra ficar escondido daquela 'social' ululante da platéia, que me apavorava. Empolgado com o show, levantei lá atrás e pedi com um berro Eu Quero Uma Mulher Com W, nome de uma música. Quando notei o que fiz, sentei envergonhado com um sorriso e pensando: 'Sensação foda!'."
Melvin Ribeiro, baixista e produtor de festas:
"Foi mais difícil do que parece achar meu show inesquecível do HPP. Porque, diriam os Tremendões, "são tantas emoções"... Achei uma listagem completa do festival no google e viajei no tempo por mais de uma hora. Descobri que estive presente já na primeira edição (no show do Planet) mas o mais marcante foi o ano seguinte. 23 de Maio de 1995, Cabeça, Funk Fuckers e Suínos Tesudos. O trio mais presente nos shows que eu freqüentava na época. Três bandas que me fizeram ver que ainda havia muito para conquistar dentro do circuito. O Cabeça foi minha banda preferida enquanto durou e até hoje ainda volto às demos vez ou outra. O show foi sensacional, com todos os clássicos da época pré-CD de estréia tocados num som que a banda não encontrava muitas vezes. Nunca, pra ser sincero. E eles soavam melhor ainda no Sergio Porto! Como minha banda na época tinha gravado uma cover deles na demo, ainda subi para cantar "You Better Die". Melhor show e ainda minha estréia no HPP!"
Kassin, baixista, guitarrista e produtor musical:
"Cara, eu me lembro assim do Video Hits, do Diego Medina, uma banda gaúcha que tava super bem na época, ia lançar disco pela Abril... Fui como fã mesmo, já era músico e produtor, e me lembro de ter ido assim, à toa".
Pedro Veríssimo, vocalista:
"Pode escolher um show deste ano? Pra mim o Frank Aguiar é um super herói, aliás pra mim e pra toda a torcida do Flamengo, e do Inter, e de tudo o mais. Eu cantei em todos os discos [solo] dele, e nesse último eu tava em estúdio há poucas semanas. Pode até botar aí que vai ser o melhor dele, quando for lançado. Mas é um herói da adolescência, me educou no rock, e a primeira vez que eu gravei com ele foi um sonho".
Adriana Penna, produtora:
Posso fazer uma certa retrospectiva da minha vida "adulta" quando vejo o histórico das bandas que já passaram pelo palco do Humaitá. Mas já que é para escolher, fiquei chapada com o som e a performance dos mineiros do Pato Fu, no longínquo 95, que fizeram um show histórico de lançamento do disco Gol de Quem. Lembro do John usando algum tipo de traquitana grudada no corpo. E à medida em que ele ia se batendo, uns sons bem loucos eram produzidos. E também da Fernanda Takai, fofíssima, cantando uma música que amo até hoje, Sobre o Tempo.
Marko Homobono, vocalista e blogueiro:
Depois do advento do Los Hermanos e da revelação de que o Acabou La Tequila fazia parte das influências de Camelo e cia, quando se marcou a participação da banda de Kassim, Venatinho, Donida, Nervoso e Léo, no HPP, houve um certo hype em relação à apresentação. Acho que nunca o Acabou La Tequila tinha recebido tanta atenção. Com um atraso injusto, tenho que dizer. Então, para mim, seria um show especial porque reencontraria os caras com quem os Kamundjangos tocaram tanto nos anos noventa. Naquela época, os já rebatizados Djangos estavam à deriva procurando orientações novas para sua música e eu me sentia meio perdido e insatisfeito. Quando Venatinho Renenoso entoou nossa música "Raiva Contra Oba Oba" no meio de "Radio Jaba" e todo mundo viu e ouviu, senti milhares de agulhas me furando de susto e, por que não?, orgulho.
João Brasil, cantor e produtor:
"Um dos show mais bacanas que assisti no Humaitá Pra Peixe foi o do Brasov, acho que em 2007 ou 2006, nao me lembro direito hahahaha. O show foi incrível, a banda estava impecável e muito animada. As projeções no telão estavam fantásticas também, uns carinhas dançando dancinhas russas. Quando o vocalista cantou: "Falando Sério", do Rei Roberto, foi impagável! Sensacional! Muito divertido! Ficou na minha cabeça!"
Emílio Domingos, cineasta e dj:
"O show do mundo livre s/a em 96 - lançando o seu primeiro cd "Samba Esquema Noise" foi a primeira vez que assisti a banda com sua fusão de gêneros teoricamente tão opostos como o punk e o samba, e as letras de Fred 04."
Bruno Maia, jornalista e documentarista:
"O do Domenico+2, em 2003. Histórico porque foi o primeiro que eu me lembro de ter ido pra ir ao Humaitá. Lembro que nem curti tanto aquele show, mas foi depois dali que comecei a frequentar o festival, independentemente do que fosse rolar por lá. Mais pra curtir a atmosfera e as novidades do que propriamente pela 'obrigação' de ver algum artista".
Rodrigo Pinto, editor de cultura do Globo Online e autor da biografia do Barão Vermelho: "
Enfrentei uma fila gigante naquele caloraço de verão de 2006 pra ver o Jonas Sá, me espremi num canto e, deepois de meia hora de marola no ar, vieram os primeiros acordes do show. Foi incrível! O doido me apareceu com uma mega banda . Gosto muito do Jonas, é um cantor maravilhoso e ótimo compositor, talvez o mais contundente da geração. E leva ao palco muito da personalidade dele: é ambicioso sem arrogância, une inteligência e sensibilidade profundas e, assim, me faz vê-lo como um talento do porvir da MPB. Depois do show eu tava chapado e arrependido: não levei uma câmera para gravar ou fotografar. Burro! Recentemente, fui à forra: consegui fotografar Jonas e Bartholo no camarim do Cinemathèque. Tenho um regisro do dois talentos no auge de sua juventude criativa".
Mariana Brunelli, publicitária e produtora:
"Estava eu curtindo uma prainha no verão de 2001, quando um grande amigo propôs uma esticada num show do Humaitá pra Peixe. Eu nem conhecia a banda, mas depois de curtir uma praia maravilhosa, um showzinho caía bem. Um típico pós-praia no verão carioca. A banda era o Funk Como Le Gusta ainda com o vocal super potente da Paula lima. Lembro muito bem da participação super especial da Daúde, que fez uma dobradinha fantástica com a Paula. Foi um show incrível, super contagiante e dançante. E depois ainda saí pro choppinho com o povo que encontrei lá. Adorei!"
Joca Vidal, produtor e DJ:
"Um que me marcou mesmo, porque acredito ter sido o que deu início a essa história de amor que tenho com o HPP foi o KMD5. Lembro que a cena reggae tava começando por aqui, o show não tava lá tão cheio. Fiquei sentado lá em cima da arquibancada, viajando... A banda detonou, foi um show bem bacana! Jah Rasta!!!
Marcos Bragatto, jornalista e fotógrafo:
"Fico sem dúvida com a reunião do Little Quail (que na época já havia acabado) em 2001. Foi uma festa espetacular, e me lembro (acho que tenho foto) de ter visto até Marcelo Camelo, ainda oculto, em meio a uma roda de pogo".
Marcelo Callado, baterista:
"O show do Little Quail de 2001 foi a vez que eu vi o Sérgio Porto mais lotado. O Zé Ovo, o Bacalhau e o Gabriel (Thomaz) mandaram muito bem, foi animal. Eu fui com a galera do colégio onde eu estudava, o Andrews, todo mundo empolgado, ficamos bebendo uma cervejinha na porta antes de entrar. Me lembro que na época já tinha o Carne (de Segunda), mas tocar mesmo no festival era um sonho. O Bubu, da banda, não conhecia o Little Quail, por isso nem foi. Eu ainda não tinha me decidido entre ser músico ou economista, faculdade que eu cheguei a cursar, mas não concluí".
Fred Coelho, antropólogo e DJ:
"O show do Instituto em 2003 foi um clássico e só quem estava no HPP viu uma das últimas apresentações do já lendário rapper Sabotage com Ganjaman, Rica Amabis e Tejo. Apresentação impecável, groove, em um fim de tarde que será lembrado por muitos anos por quem esteve lá."
DJ Tamenpi:
"De primeira, veio na cabeça a edição de 2003, na abertura do evento, com o show do coletivo paulistano, Instituto e seus convidados. Eu já era bem familiarizado com a banda, mas fui conferir principalmente por causa de uma pessoa: o saudoso Sabotage. Era (e continuo sendo) muito fã dessa figura única que faz muita falta a música rap brasileira. Boa parte do público presente não conhecia ou nunca tinha visto ao vivo. E ele (como sempre) roubou a cena com seu carisma e autênticidade no palco. Infelizmente, foi seu ultimo show. Duas semanas depois o rapper foi assassinado em São Paulo, em um crime sem solução até hoje".
Pablo Ribeiro, baterista:
"Estive tocando em duas edições do Humaitá pra Peixe: em 1997, com os Suínos Tesudos e em 2000, com o Grave!. Na primeira, era Suínos Tesudos e The Funk Fuckers, duas bandas que movimentaram bastante o underground daquela época. Lembro que na passagem de som o clima era de muita descontração e de levadas de som entre as bandas, apesar da tensão normal que se tem ao participar de um festival dessa dimensão. O show do Suínos foi muito engraçado, com o Quick entrando no palco de Homem-Pão. Semi-nu, com várias bisnagas amarradas ao corpo correndo pra lá e pra cá...(risos). Na seqüência, entra o Funk Fuckers. Foi explosivo !! Um mar de pessoas na platéia se acotovelando ao som, quando de repente o BNegão lança um bote inflável na platéia. Aí o Sérgio Porto foi abaixo!!"
Kamille Viola, jornalista:
"Quando eu tinha uns 18 anos, via muitos shows do Cabeça e do Funk Fuckers - duas bandas que foram muito queridas no cenário independente carioca. Tanto que hoje os ex-integrantes das duas bandas tão por aí, fazendo música boa. O BNegão era do Funk Fuckers. Gabriel Muzak. Jimmi Luv foi da banda. Pedro Garcia, o Pedrinho, hoje baterista do Lobão, ex-Planet Hemp, foi do Cabeça. Em 1995, as duas bandas (que eram amigas entre si e de quem eu era amiga, também) se apresentaram no festival. Pra quem tocava em tanto buraco, tocar num lugar como o Sérgio Porto, e ainda por cima dentro de um evento tão legal, era um sonho se realizando. Todos os amigos iam e a gente se divertia muito nos shows. Pra mim, aquela edição é uma das mais marcantes no meu (longo) histórico de HPP, e lembra uma época muito boa da minha vida também!"
João Xavier, jornalista e rapper:
"Fiquei bolado quando soube que o Turbo Trio finalmente tocaria no Rio. Os caras tem o talento do famoso Rei Midas, tudo que B Negão, Tejo e Basa botam a mão vira ouro. No show foi impossível ficar parado. Como as letras do grupo alertam, as ondas graves sacudiram o salão! "Quem tiver vivo balança!", sentenciava B Negão MC-Rei, e os súditos obedeciam. Não sobrou nada pro show que vinha na seqüência. Acabei assistindo o Móveis Coloniais de Acaju sentado, acompanhado de uma revigorante garrafinha d´agua. Quando Turbo Trio comanda o baile, a situação fica, literalmente, grave!"
E você?
Qual foi o seu show inesquecível? Deixe nos comentários, logo abaixo, o primeiro show que vem na sua cabeça quando falamos Humaitá pra Peixe!
Warning: include(/home/.fibi/pilastra/2008.humaitaprapeixe.com.br/zineonline/_includeBanner.php) [function.include]: failed to open stream: No such file or directory in /home/pilastra/2008.humaitaprapeixe.com.br/zineonline/noticias/2008/01/shows_inesqueciveis.php on line 356
Warning: include() [function.include]: Failed opening '/home/.fibi/pilastra/2008.humaitaprapeixe.com.br/zineonline/_includeBanner.php' for inclusion (include_path='.:/usr/local/lib/php:/usr/local/php5/lib/pear') in /home/pilastra/2008.humaitaprapeixe.com.br/zineonline/noticias/2008/01/shows_inesqueciveis.php on line 356

Bem lembrado.esse show não foi aquele que o cantor tava cheio de peixe enrolado no corpo?
O que que era aquilo?
Merece o meu voto
Concordo com o Pedro Sá.O show do Piu-Piu e sua Banda, foi memorável.Realmente deixou uma marca tipo tatuagem (difícil de ser apagada nesse longos anos de HPP).O cara consegue ser um misto de louco, inusitado,realista e até, sexy.Fodão!!!!
O meu HPP inesquecível foi o de 2003 quando assisti o show do Netunos que dividiu a noite com om finado Onno. Pra mim foi uma combinação perfeita: verão + praia + Netunos + HPP! O show deles foi muito bacana! Todo aquele clima com solos de guitarra à la Beach Boys, além das letras do ensolaradas, fizeram muito sentido naquele mês de janeiro quente.
Acho que o melhor show que vi no HPP foi o do Funk Fuckers...neste dia rolou a gravação do clipe deles...foi insanamente lindo esse dia...fui com a galera da sociedade hq (alguem lembra deles?)...foi demais
CEP200MÍLSICA CEP SERGIO PORTO saudades!
muitas histórias boato,os cachorros das cachorras banda de brasilia, mundo livre s/a ja no humaitáprapeixe nossa teve planethemp? derrepente me veio um flash na cabeça ao escrever essas mal traçadas linhas pouca memoria muitas historias
longa vida ao humaitáprapeixe!
29 anos e quase dez perambulando pelos festivais mílsica e humaitáprapeixe de um peixe que tambem ja não tá mais no humaitá