Uma Volta Pelo País
13 de janeiro de 2008
por bernardo mortimer
As camisas do Inter de Porto Alegre e o clima de torcida organizada convocavam o super herói de uma geração entre os vinte e cinco e os trinta e poucos anos: Frank Jorge. Hoje professor e diretor de uma faculdade de rock no Rio Grande do Sul, difícil é imaginá-lo confortável no dia em que a lição do curso Rock Brasileiro III for ele próprio, compositor e baixista de duas das mais importantes bandas do underground porto-alegrense, Cascavelletes e Graforréia Xilarmônica.
Devidamente apresentado, Frank agradeceu a expectativa e deixou soar a formação clássica do rock, popularizada por certo quarteto de Liverpool, lá nos anos sessenta. Duas guitarras (uma com ele), baixo e bateria sem muita invenção serviam de base para o humor refinado que é, afinal a grande atração do show. Parece um rock simples e direto, mas as nuances é que demonstram a inteligência de um jeito de fazer rir porto-alegrense e eternamente adolescente, de observação e ritmo tão insólitos quanto corriqueiros. Para usar a reflexão de outro colorado gaúcho: uma comédia da vida privada com guitarras.
E por falar em Luís Fernando, Pedro Veríssimo, vocalista do Tom Bloch e filho do homem, subiu ao palco para fazer coro em duas músicas, repetindo uma parceria estabelecida em todos os discos-solo de Frank, inclusive o que ainda está para sair. Ao descer do palco, comentou que é sempre uma honra estar com o super herói de todo roqueiro, gaúcho ou não. Para não perder o pique, o show seguiu com o hino universitário alternativo boêmio Amigo Punk, cantado por todos (ou quase) os presentes.
A essa altura, o clima de viva Guaíba estava instalado, e Não Suporto Mais Essa Obsessão Pelos Anos Sessenta veio explicar e contribuir para o sutil tom de comédia da apresentação. Quando disse que tinha acabado, o bis foi exigido e veio em memória à Graforréia Xilarmônica, com Empregada e Eu (essa regravada pelo Pato Fu), seguida por uma volta à Jovem Guarda, como tudo começou, e Se Você Pensa, de Roberto e Erasmo.
As luzes se apagaram e o palco se iluminou apenas com as luzes das velas, que esquentavam o couro do pandeiro de Letícia Persiles, a encarnação do teatro mambembe sertanejo que o sudeste só conhece de livros de história, de Ariano Suassuna na tv, e do Cordel do Fogo Encantado. O silêncio e o fogo davam sinais de que era um ritual que estava prestes a começar, e a viola e a rabeca que puxaram a voz e o pandeiro só transformaram a impressão em certeza.
Depois do suspense acústico, veio a explosão de guitarra, baixo e bateria: Faca de Ponta, pesado e dramático, como seria tudo dali em diante. Junto com o instrumental, o show corria em paralelo com todo um aparato cênico que Letícia dominava. Eram as velas, uma garrafa de vidro verde bebida no gargalo, os pés descalços e os olhares fixos e vidrados de quem vê coisas, reforçados pela forte maquiagem. Algo de Antônio Conselheiro em Canudos baixava de leve no Humaitá Pra Peixe.
Letícia, aliás, adotava um gestual que reforçava o tempo todo o sertão místico, junto com as projeções de personagens como a lua, o diabo, as flores de cáctus, e todos os mistérios mais que se avistam daqui na seca.
Na mistura do Manacá, houve espaço até para o candomblé de Canto de Ossanha de Vinícius de Moraes e Baden Powell (uma homenagem à sala de Copacabana), denso e pesado de outra maneira. Quando terminou, o que não falou foram pedidos de bis.
Warning: include(/home/.fibi/pilastra/2008.humaitaprapeixe.com.br/zineonline/_includeBanner.php) [function.include]: failed to open stream: No such file or directory in /home/pilastra/2008.humaitaprapeixe.com.br/zineonline/noticias/2008/01/uma_volta_pelo_pais.php on line 339
Warning: include() [function.include]: Failed opening '/home/.fibi/pilastra/2008.humaitaprapeixe.com.br/zineonline/_includeBanner.php' for inclusion (include_path='.:/usr/local/lib/php:/usr/local/php5/lib/pear') in /home/pilastra/2008.humaitaprapeixe.com.br/zineonline/noticias/2008/01/uma_volta_pelo_pais.php on line 339

Oi Paulo,
Beleza? Cara, li seu comentário, fiquei na dúvida, e fui conferir no Aurélio: faculdade é qualquer unidade de uma universidade.
Então, a Unisinos é uma universidade de vários cursos, entre eles a faculdade coordenada pelo professor Frank.
Falou?
Abraço
Sr. Bernardo, o Frank Jorge é sim professor universitário e não diretor de faculdade e a faculdade citada é a unisinos que tem inúmeros cursos e não faculdade de rock como também citado em seu artigo.
O texto tá bom, mas não passou muito aquilo que foi o show do Frank Jorge... Que com certeza foi o melhor da noite! Muito bom mesmo!
O Manacá, eu achei um pouco ruim... Poxa, no biz repitir música? Custa colocar um cover? Vai ficar feio no DVD
@Jamil Joanes: Banda Black Rio??? Saudações de Vaz Lobo!
Nem sei o q dizer, nem sei como expressar o q eu senti ao ver mais esse show do Manacá...
Sou veterana em shows do Manacá, 8 shows não eh pra qqr um! huhaa
E digo q nesse eles mais uma vez se superaram! Perfeito!
Primeiro show com o novo músico no violão celo...achei o máximo!
=D
Parabéns à banda, e parabéns ao festival, pela organização!
a proposito camisa do arquivo x ..era eu !!!!!!!!!!
Enfim, nosso querido Márcio Biel Pintoni conseguiu o que tanto era por ele 'desejado'... Depois de tanto falar mal, pelas costas, de bandas que, pela frente, puxava (de quase arrebentar) o saco, você está tendo sua chance...
Parabéns, comparsa, aproveite!
Afinal, como dizia o filósofo Romário, quem é ruim, se destrói sozinho...